quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Várzea da Moita informou Governadora Civil sobre a violação da lei e o desrespeito do interesse e do serviço público, por parte da Câmara da Moita


Nota-síntese à Comunicação Social sobre a Reunião de 9 de Outubro ’08 em Setúbal entre a Senhora Governadora Civil do Distrito de Setúbal, Drª Eurídice Pereira, e uma Delegação do Movimento Cívico Várzea da Moita


Na Reunião, que decorreu em ambiente de cordialidade de grande preocupação cívica, e para além da Senhora Governadora, participaram 7 Munícipes, Cidadãs e Cidadãos da Moita, em representação do Movimento Cívico Várzea da Moita.


Aquelas Cidadãs e Cidadãos agradeceram à Senhora Governadora a possibilidade de exporem mais uma vez as suas preocupações em geral em torno da situação na Moita, e em particular sobre a Revisão do Plano Director Municipal (PDM) concelhio, para além de outras questões bem concretas que muito preocupam as pessoas, e explicaram que, ao falarem com o Governo da República, o fazem ao abrigo de preceitos e direitos constitucionais[1] próprios dos Cidadãos, e com uma total clareza de objectivos, a saber:


  • As questões levantadas na reunião versaram exclusivamente matéria de violação da lei e do desrespeito do interesse e do serviço público, por parte da Câmara Municipal da Moita, não colocando na ocasião aquelas Cidadãs e Cidadãos nem ao Governo da República, nem à Senhora Governadora, nenhuma matéria de mérito ou de política local[2].


“A violação sistemática da Lei e o desrespeito por princípios constitucionais como os da igualdade, da proporcionalidade, da justiça, da imparcialidade e da boa-fé[3], na prática do dia-a-dia e no Processo de Revisão do PDM, por parte da Câmara Municipal da Moita, já são uma preocupação tão grande, imensa mesmo, que só por si justificam esta reunião” – disseram.


“Das opções políticas desastrosas da maioria que chefia o Governo Local na Moita não falamos nesta ocasião, por razões óbvias”, acrescentaram.


À luz desta orientação, e em síntese, aquelas Cidadãs e Cidadãos reafirmaram que importa que o Governo Central, enquanto órgão de condução da política geral do país[4], e no quadro das suas competências e deveres constitucionais[5], actue de modo a assegurar a verificação do cumprimento da lei por parte dos órgãos autárquicos na Moita, no nosso caso.


Na verdade, na Moita não falta campo de acção nesta matéria.

A Lei tem sido com efeito entre nós sistematicamente violada.


Em matéria de Revisão do PDM e de apresentação de um Projecto de novo PDM, pode dizer-se em poucas palavras que a Câmara Municipal da Moita

  • violou grosseiramente as normas que regulamentam a salvaguarda do Solo Rural[6] e condicionam o crescimento do Solo Urbano;
  • violou grosseiramente as normas[7] que garantem os direitos de efectiva participação das populações em tais processos de revisão;
  • violou sem pudor algum a obrigação de prossecução do interesse público, no respeito pelos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos, ao não aplicar a lei vigente[8], antes acordando com interesses parcelares o seu enviesamento e a sua distorção ‘à la carte’;
  • violou diversas disposições e constrangimentos legais[9] que deveriam ter sido devidamente acautelados ao longo de todos os trabalhos de Revisão do PDM;
  • Violou a lógica e a inteligência dos Cidadãos, e malbaratou as áreas ecologicamente protegidas e importantes do Concelho, ao pretender com passes de mágica, enganar tudo e todos, nomeadamente em matéria de desclassificação de solo rural em RAN e em REN[10], a pedido e a mando de alguns Empresários e Empresas;
  • Violou os interesses legítimos e os direitos protegidos do Cidadãos, nomeadamente das populações do campos do Sul da Moita, ao pretender garrotear as suas terras, as suas casas, as suas culturas, os seu gado, as suas vidas com uma nova classificação de REN inútil, de brincar, de fingir, que só tolinhos podem “compreender”, e que --- a vingar --- faria da nossa terra e da nova REN motivo de galhofa e desdém em todos os lugares e junto de todas as pessoas que dela tivessem conhecimento. Seria a “REN sim, REN não”, tipo tabuleiro branco e preto de xadrez, onde em cima de muita excepção ainda surgiriam os famosos corredores[11] sem REN, de que todos falam, mas que nunca aos Cidadãos foram formal e legalmente apresentados;
  • Viola as regras mais elementares de democracia e de um Estado de Direito democrático, virando as costas à participação popular, fugindo do contacto com as pessoas, calando os cidadãos e não lhes dando nem as respostas nem as fundamentações que a lei e o bom senso exigem, tudo por uma razão: o medo da verdade[12].


“Por tudo isto, e muito mais”, disseram aquelas Cidadãs e Cidadãos da Moita, em representação do Movimento Cívico Várzea da Moita, “o dia-a-dia na Moita é um corre-corre de violações da Lei, por parte de quem localmente a deveria defender e fazer cumprir, e antes faz impunemente o seu contrário”.


“Isso é mau, muito grave e preocupante”, disseram.


“Mas mais grave e preocupante é o facto que os Cidadãos não compreendem que as inspecções e as investigações por parte do aparelho de estado, sejam da IGAL ou do Ministério Público e da Polícia Judiciária, pareçam tudo, menos avançar e produzir resultados”, acrescentaram.


“Os Cidadãos sabem o que é o contraditório, e o segredo de justiça”, explicaram.


“Mas também sabem que este tipo de situações desemboca em Portugal as mais das vezes em lugar nenhum, com arquivamentos, prescrições, e outros perdões a serem por demais a moeda corrente neste tipo de casos. As pessoas não compreendem”, acrescentaram.


“Parece que o Estado é forte contra os fracos e fraco debaixo dos fortes”, esse é o sentimento que mina a confiança das pessoas na democracia.


Para todas estas situações, aquelas Cidadãs e Cidadãos pediram a melhor atenção da Senhora Governadora e a sua importante intervenção junto dos diversos órgãos do aparelho de Estado, e em primeiro lugar do Governo da República.


Na ocasião, expressaram aquelas Cidadãs e Cidadãos igualmente as mais vivas preocupações em torno das insustentáveis situações de dano ambiental e de prejuízo para a vida dos Moradores, que a Ribeira da Moita[13][14] e a Suinicultura da Barra Cheia significam.


A Ribeira da Moita não é mais que um esgoto industrial e um vazadouro a céu aberto das novas áreas de crescimento demográfico a montante, a sul do concelho, na Região de Palmela. Os danos ambientais e os prejuízos duplamente sinistros gerados por esta Ribeira são gravíssimos, e incompreensíveis”, disseram.


“A Ribeira ilegal da Moita prejudica por um lado fisicamente as pessoas e as suas culturas e interesses legítimos nos campos dos Brejos da Moita e na Barra Cheia, e por outro lado serve de álibi desde 1993 para o garroteamento jurídico das suas terras como REN de protecção ao esgoto a céu aberto”, explicaram.


“Teríamos de suportar tais danos se as suas águas fossem da chuva ou de nascente, mas não as queremos e temos o direito de as rechaçar porque são de génese e de transformação humana”, disseram.


O caso da Suinicultura da Barra Cheia, com os seus cerca de 3.800 m2 de área edificada e cerca de 2.400 m2 de superfície lagunar transbordando dia e noite, mesmo em tempo seco, de dejectos animais, e inquinando sem parar o solo, o subsolo e os lençóis freáticos da região, foi igualmente focado por aquelas Cidadãs e Cidadãos como algo de muito sério e grave, a que a Administração Pública não tem de modo nenhum até agora nem dado a devida atenção, nem sabido defender adequadamente o interesse público.


“As pessoas do campo, os Munícipes sem poder de “lobby”, sentem-se castigados, injustiçados, mal ouvidos e raramente compreendidos ”, disseram.


“As solidariedades para connosco são muitas, não têm parado de crescer da parte de todos os quadrantes, e nós não nos cansamos de as reconhecer e agradecer. Ainda há dias saudámos a importante tomada de posição da Quercus[15], em defesa do ambiente e contra os vícios e as ilegalidades nunca rectificadas do Projecto de novo PDM da Moita”, disseram.

“Mas é também vital que quem governa, em democracia, nos possa ouvir e actuar firme e rápido em consequência”, disseram.

De todas as questões, apresentadas em síntese[16] pelos Munícipes e aqui muito imperfeitamente resumidas, a Senhora Governadora tomou a devida nota e garantiu àquelas Cidadãs e Cidadãos o seu maior empenho na adequada e urgente informação ao Governo, aos seus diversos níveis, com vistas ao seu justo tratamento.

14 Out '08


Movimento Cívico Várzea da Moita



[1] Ao abrigo do Artºs 9º al. c), 48º nº1 e 2, 65º nº5, 66º nº 2, 109º e 267º nº1, todos da Constituição da República Portuguesa CRP

[2] Assim respeitando, como é seu dever, 0 espírito e a letra dos Artºs 219º nº2 e 242º nº1 da CRP

[4] Artº 182º da CRP

[5] Artº 242º nº1 da CRP

[7] Ver o Artº 6 e as alíneas a), b), c) e d) do nº 5 do Artº 77 do Decreto-lei 380/99 de 22 Set, bem como as suas republicações por via do Decreto-lei 310/2003 de 10 de Dezembro, e do Decreto-lei 316/2007 de 19 de Setembro.

[8] Veja-se a título de exemplo a Clª 3 do Protocolo entre o Presidente da CMM e a Imomoita SA, assinado a 10 de Outubro de 2000. Iguais cláusulas para o Protocolo Macle SA, e outros, etc e tal.

[9] Ver a letra e o espírito do Decreto 17/95 de 30 Maio, agora reconfirmado pelo Decreto 1/2007 de 25 Janeiro e confrontar com o ror de denúncias existentes.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Maria Fernanda Velez, Presidente da Mesa do plenário concelhio do PPD/PSD – Partido Social Democrata, reclama junto da CM Moita: ...



À
Câmara Municipal da Moita
cmmoita@mail.cm-moita.pt


Exmºs Senhores,

Em resposta ao Aviso n.º 21966/2008 da Câmara Municipal da Moita (CMM), e no quadro do previsto no nº 5 do Artº 77º do Decreto-lei nº 389/99 de 22 de Setembro, à luz da sua republicação operada pelo Decreto-Lei n.º 316/2007, de 19 de Setembro, venho por este meio apresentar reclamações contra o Projecto de novo Plano Director Municipal (PDM) da Moita, porque nele encontro matéria passível de eventual lesão grave de interesses legítimos e de direitos subjectivos.

A- Identificação do autor da reclamação:

Maria Fernanda Pardaleiro Velez, portadora do BI ..., e eleitora 6359A da Freguesia da Moita, Presidente da Mesa do plenário concelhio do PPD/PSD – Partido Social Democrata, residente na ... Moita.

B – Reclamações e sugestões:

1 – Corredores de excepção de REN na área sul do Concelho:

Aquando da discussão pública do documento que decorreu em Agosto/Setembro 2005, a proposta classificava toda a região como REN.
Nesta proposta agora em discussão, existem corredores de excepção que nunca foram colocados em discussão pública.
Mesmo considerando que tal alteração resulte das sugestões recebidas nessa data, tratando-se de uma alteração significativa do plano original, deve a mesma ser alvo de uma consulta e discussão pública.

2 – Mapa de REN existente e de onde parte o raciocínio que leva ao actual projecto.

O mapa da REN existente e facultado pela Câmara para esta discussão pública, não corresponde ao mapa da REN delimitado pelo actual PDM em vigor e publicado em Diário da República.
Residente no Concelho deste 1973 desconheço ter existido qualquer consulta pública sobre uma alteração à REN, e tal acto não consta em nenhum Diário de República.

3 – Manchas de sobreiros não sinalizadas, conforme indicação da CCDR-LVT

A solução encontrada, não responde à chamada de atenção da CCDR-LVT sobre as manchas arbóreas de espécies protegidas, existentes no concelho, nomeadamente sobreiros.

No ano em que o actor Rob Schneider chama a atenção do mundo inteiro para o sobreiro português e para a sua importância, através do filme “save Miguel”, continuaremos nós a ignorar a importância desta espécie protegida?

A título de exemplo, pois existem diversas outras manchas, destaco a Quinta da Migalha e a zona do Chão Duro, junto à bomba da Galp.


4 – Relatório do IGAL sobre a actuação da Câmara no sector do urbanismo

Tratando-se a investigação do IGAL e o projecto de PDM de dois processos distintos, nada impediria que o projecto de PDM continuasse durante essa investigação.
No entanto, uma das questões levantadas pelo IGAL, no seu primeiro relatório, foi a construção da moradia, no Penteado, local de residência de um assessor jurídico da Câmara.

Trata-se do assessor que deu apoio jurídico à elaboração deste projecto de PDM, e do assessor que representou a Câmara e os empreendedores imobiliários nos protocolos de passagem de solo rural (REN e RAN) para solo urbano.

A referida moradia está registada em nome de um dos promotores imobiliários (como o Jornal Público na altura informou, e sem que até à data houvesse qualquer desmentido).

Considerou o IGAL, no seu relatório, que o assunto deveria ser encaminhado para a Procuradoria Geral da República.

Assim, não é razoável que ao longo deste processo os documentos elaborados pela parceria CMM/Promotores/Assessor, sejam aprovados e sirvam de base para o projecto mais estruturante do concelho.


5 – Novos investimentos anunciados para as proximidades

Aquando da discussão pública do projecto de PDM, em 2005, ainda não era conhecida a localização do novo aeroporto, nem o traçado do TGV, dois investimentos, que, naturalmente, vão colocar o concelho da Moita no centro da área metropolitana de Lisboa, obrigando a um repensar do ordenamento no nosso concelho.

Estes projectos implicam novas vias de ligação como, por exemplo, o atravessamento do concelho pelo MST (Metropolitano Sul do Tejo) que ligará o arco ribeirinho sul desde Almada até ao novo aeroporto e a existência de empreendimentos turísticos necessários a qualquer concelho limítrofe de um aeroporto internacional.

Nenhuma destas medidas está prevista neste projecto de PDM.


Solicito resposta, conforme o previsto no referido nº 5 do Artº 77º do Decreto-lei nº 389/99:


Moita, 01 de Outubro de 2008


Maria Fernanda Pardaleiro Velez

Pode ver-se igualmente os Blogs: Reflexões fora de campo e Walking the world, para além de Vistas Largas



In Blog


Vistas Largas,

Portugal é grande quando abre horizontes[1]

02 Out 08


Rebeldes, diabos e espias


Hoje passei uma boa parte do dia a discutir com o general comandante militar das forcas chadianas que defendem a principal zona de fronteira com o Sudão. Como comanda mais de 4 000 homens e tem cerca de 3 000 rebeldes a 28 quilómetros de distância, em terras sudanesas, prontos para tudo, tentei focalizar a conversa nas ameaças que enfrenta cada dia e cada noite que passa.


Muito seguro de si próprio, com espiões seus a operar junto da rebelião, bem informado, com muitas campanhas no activo, pareceu-me pouco interessado na conversa, de convencido que esta' que os grupos rebeldes não conseguirão atravessar a fronteira sem se fazerem massacrar.


Sem saber bem como, começámos então a falar dos espíritos que vivem naquelas terras do fim do Deus dará. O general acredita que toda uma comunidade de diabos, uns bons outros maus, são como os seres humanos, têm ministros e primeiros-ministros, talvez também tenham uma versão sua da crise financeira, que há de tudo, habita aquelas paragens nos confins do Sahel.


Os espíritos vivem sobretudo nas árvores mais frondosas, pelo que os soldados do general, quando querem descansar 'a sombra dessas árvores, têm primeiro que descarregar os seus carregadores para o ar, para afugentar esses pobres diabos.


Como estas terras são actualmente um teatro de operações da EUFOR, o general está convencido que os soldados europeus aproveitam da sua presença na região para capturar espíritos, pela cauda, para mais tarde, uma vez terminada a sua missão, os levar para a Europa. O branco não tem medo dos espíritos.


Assim, se nas ruas de Dublin, ou nos passeios de Amesterdão, ou nos Campos Eliseos , o leitor vir um soldado a passear um espírito pela trela, com ar de quem não quer a coisa, ja' fica a saber que esse militar serviu na área que o general chadiano comanda.


Que diria o general, se visse os diabos que andam 'a solta nos partidos portugueses?


[1] Pode ver-se igualmente os Blogs Reflexões fora de campo e Walking the world, para além de Vistas Largas

No Jornal Público (3 Out'08, pág 29), citando a QUERCUS: "Erros na Proposta inicial do PDM da Moita não foram corrigidos,...contornos de ilegalidade"



Alterações ao regulamento não corrigem os erros da proposta inicial


Ver Portal da

Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza


Quercus contesta alterações ao PDM da Moita


In Jornal Público, pág 29, 03.10.2008


A associação ambientalista Quercus defendeu ontem que as alterações efectuadas ao Plano Director Municipal (PDM) da Moita "não corrigem os erros cometidos" com a proposta inicial, defendendo que se mantém a tendência para "fomentar a expansão urbana à custa da destruição de vastas áreas ambientalmente sensíveis e de elevado valor ecológico e patrimonial, até agora preservadas", diz a associação em comunicado, citado pela Lusa.


Terminou na quarta-feira a discussão pública relativo às propostas de alteração ao regulamento do PDM, actualmente em processo de revisão, onde a Quercus crítica o processo.


Os ambientalistas defendem que as alterações propostas "não são suficientes" para acautelar os valores naturais da Moita e explica que não foram considerados os projectos que se avizinham para a região. "Os erros cometidos na proposta inicial não foram corrigidos, assumindo contornos de ilegalidade, de que é exemplo a manutenção da desafectação de vastas áreas de Reserva Ecológica Nacional), acrescenta o documento.


O processo de revisão do PDM da Moita decorre há cerca de dez anos e tem sido marcado por contestação de sectores da população e das forças políticas da oposição ao executivo liderado por João Lobo (PCP).


Ver igualmente notícias em Alhos Velhos ao Poder, e em Jornal O RIO


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Quercus: "Acresce ainda que os erros cometidos na proposta inicial do PDM não foram corrigidos, assumindo inclusivamente contornos de ilegalidade..."





Revisão do PDM da Moita

Alterações ao regulamento não corrigem os erros da proposta inicial


Ver Portal da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza



Terminou ontem o período de discussão pública relativo às propostas de alteração ao regulamento do Plano Director Municipal (PDM) da Moita, actualmente em processo de revisão.

A Quercus considera que as novas alterações ao Regulamento do PDM não corrigem os erros cometidos, mantendo-se no essencial a tendência do PDM em fomentar a expansão urbana à custa da destruição de vastas áreas ambientalmente sensíveis e de elevado valor ecológico e patrimonial, até agora preservadas.


Enquadramento

O projecto de revisão do PDM da Moita tem suscitado diversas críticas, quer da sociedade civil, quer dos partidos da oposição. Em causa estarão as inúmeras desafectações de regimes de protecção com o objectivo de promover a urbanização de vastas áreas até agora preservadas.

A proposta inicial de revisão do PDM foi objecto de várias criticas e rejeições por parte da Comissão Técnica de Acompanhamento (CTA) do PDM (em parecer datado de Janeiro de 2007), que entendeu não haver motivo para todo um conjunto de desafectações, considerando que as mesmas colocavam em causa “Áreas Vitais” incluídas na Estrutura Metropolitana de Protecção e Valorização Ambiental do Plano Regional de Ordenamento da Área Metropolitana de Lisboa (PROTAML). A CTA considerou ainda que, em alguns casos, nomeadamente na área do Vale do Trabuco, a opção de planeamento proposta “não é a mais adequada em termos de ordenamento do território, tendo em consideração as características físicas, biológicas e paisagísticas deste vale e o papel que o mesmo deve desempenhar ao nível da estrutura ecológica”.

Em Julho último, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) emitiu um parecer desfavorável à proposta de revisão do PDM, considerando que várias objecções da CTA não haviam sido tidas em consideração. Em causa estariam diversas áreas de RAN e REN em que o PDM mantinha a desafectação, bem como diversos povoamentos de sobreiros e um conjunto de áreas integrantes da Estrutura Metropolitana de Protecção e Valorização Ambiental designada no PROTAML. Para além disso, não teriam sido acauteladas na actual proposta de revisão do PDM os projectos estruturantes propostos para a região e em particular a ligação ferroviária de alta velocidade (LAV) e a Terceira Travessia do Tejo (TTT), de acordo com as medidas preventivas previstas publicadas pelos decretos nº25/2007, de 22 de Outubro e nº 1/2007, de 25 de Janeiro.

Na sequência deste parecer desfavorável da CCDR-LVT, a Câmara Municipal da Moita decidiu submeter a um novo período de consulta pública um conjunto de alterações ao Regulamento do PDM, num total de três alterações, sendo que apenas essas seriam objecto efectivo da nova discussão pública.



As alterações propostas ao Regulamento

Analisando as alterações propostas, verificamos que a grande alteração que se pretende propor ao regulamento do PDM consta da alteração 1, onde se propõe um aditamento ao artigo 58º — um nº 3-A. (As outras duas alterações são rectificações de acordo com as orientações da CCDR, relativas à Gestão da Propriedade Florestal e ao Domínio Hídrico).

Este aditamento estipula que “o projecto de loteamento do prédio a que se reporta a UOPG -01 e os planos de pormenor de que depende o loteamento dos prédios abrangidos pelas UOPG -02 e UOPG -03 terão de implantar e detalhar com precisão os corredores vitais da Rede Ecológica Metropolitana previstos no Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa, que prevalecerão em qualquer caso sobre os assinalados nas plantas do PDM, e adoptar medidas necessárias à defesa e funcionalidade desses corredores, ficando proibidos quaisquer actos ou actividades que os possam afectar”.

Comparando os pareceres da CTA e da CCDR, verificamos que existem muitas outras áreas, para além das referidas UOPG 1, 2 e 3, que são objecto de desconformidades, como as áreas plano P1-04 (Brejos), P1-10 (Alhos Vedros), P1-23 (Penteado), P1-27 (Arroteias) e P2-01 (Vale da Amoreira).

Estas desconformidades decorrem de desafectações não autorizadas de REN e/ou de RAN e pela não inclusão dos povoamentos de sobreiros existentes e das Áreas Vitais constantes na Estrutura Metropolitana de Protecção e Valorização Ambiental designada no PROTAML.

Estas são áreas particularmente sensíveis, quer porque se revestem de um elevado valor ecológico, como é o caso dos sapais e das galerias ripícolas, quer porque são vitais do ponto de vista do equilíbrio e gestão de cheias numa zona ribeirinha do estuário do Tejo e portanto muito vulnerável.

Deste modo, parece-nos evidente que o aditamento proposto ao art. 58º não acautela devidamente a compatibilização da proposta de PDM com as condicionantes existentes, nomeadamente nas áreas fora das UOPG referidas.

A Quercus propõe que o aditamento proposto seja extensível a todo o PDM, devendo ainda incluir especificamente a compatibilização com a REN, a RAN, a Estrutura Ecológica Metropolitana e com a protecção dos povoamentos de sobreiros e azinheiras, de acordo com o actualmente estipulado por lei.

Verificamos ainda que as alterações propostas continuam a ser omissas face à necessidade de compatibilizar o PDM com os projectos estruturantes propostos para a região e em particular com ligação ferroviária de alta velocidade (LAV) e com a Terceira Travessia do Tejo (TTT), de acordo com as medidas preventivas previstas publicadas pelos decretos nº25/2007, de 22 de Outubro e nº 1/2007, de 25 de Janeiro.


Em conclusão, a Quercus considera que as alterações propostas à proposta de revisão do PDM não são de modo algum suficientes para acautelar os valores naturais do concelho da Moita, ignorando simultaneamente as grandes transformações que se avizinham não só para o concelho mas para toda a região, fruto dos investimentos previstos para a Península de Setúbal.

Acresce ainda o facto de que os erros cometidos na proposta inicial do PDM não foram corrigidos, assumindo inclusivamente contornos de ilegalidade, de que é exemplo a manutenção da desafectação de vastas áreas de REN, contestadas em sede de CTA, de CNREN e de CCDR.

A actual proposta de PDM promove mesmo um risco efectivo para o agravamento das tendências de expansão da malha urbana da Península de Setúbal, acentuando o carácter suburbano da mesma e a sua dependência sócio-económica relativamente à capital do país.



Setúbal, 2 de Outubro de 2008

A Direcção do Núcleo Regional de Setúbal da
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Para mais informações, contactar Carla Graça, Presidente da Direcção do Núcleo Regional de Setúbal, telemóvel 931603256.
Quercus – Associação Nacional de Conservação da NaturezaNúcleo Regional de Setúbal
Rua das Oliveiras, 47, r/c esqº 2900-113 Setúbal PortugalApartado 30 2901 – 901 Setúbal Tel: 931603256E-mail: setubal@quercus.pt Website: www.quercus.pt

"Será que nas próximas eleições precisamos de uma maioria absoluta ou precisamos de mais democracia, de mais participação, de mais diversidade?"


Política :

Bloco de Esquerda: Debate sobre o PDM da Moita levanta a questão da alternativa à actual maioria na Câmara


em 2008/10/2 0:30:00

In Jornal O RIO

O Bloco de Esquerda promoveu um debate sobre o processo em curso da Revisão do PDM, no último dia do segundo período de discussão pública, em 30 de Setembro de 2008, na Sociedade Estrela Moitense.

“Esta revisão do PDM não pode passar em silêncio, atendendo às várias situações que comporta, aos interesses que nela se cruzam e por ser um processo que ficará histórico no nosso concelho”, justificou o vereador do BE Joaquim Raminhos.

A aprovação do PDM não será o fim do processo

Definindo a estratégia de luta para um PDM decente, o dirigente nacional do BE, Pedro Soares, disse que “o encerramento deste período de debate público não é o fim da luta por um PDM que valorize o concelho da Moita. Acrescentando: “A seguir vem a batalha da Assembleia Municipal, onde se deve convencer os deputados municipais de que esta revisão do PDM não serve os interesses do concelho da Moita, porque não promove o desenvolvimento sustentável do concelho, nem requalifica os núcleos consolidados urbanos. Mesmo que o PDM venha a ser aprovado na Assembleia Municipal, segue-se a batalha da CCDR, sendo fundamental que as forças políticas que têm vindo a pôr em causa o novo PDM aumentem a pressão política e coloquem o problema à CCDR e ao Governo, para que este seja devidamente apreciado e decidido”.

“Mas, mesmo que o PDM venha a ser aprovado pelo Governo, deve ser um compromisso de todas as forças que se opõem à esta revisão que, no próximo mandato, se comprometam a dar início a um novo processo de revisão do PDM no concelho da Moita. “Isto, no nosso ponto de vista, para que possa haver um processo de desenvolvimento sustentável neste município”, propôs.

Aliás, conforme foi dito, também é incompreensível a aprovação do PDM da Moita antes da conclusão do PROT-AML, de cujas orientações depende. Acresce que toda esta região vai estar sujeita a alterações estruturais, devidas a grandes investimentos, como o Aeroporto de Alcochete, o TGV e a 3ª Travessia do Tejo. Nestas circunstâncias, era no mínimo avisado esperar pela revisão do PROT-AML, cujo prazo de 9 meses até era muito curto, e só depois avançar para a conclusão do PDM da Moita.

A declaração do presidente da CCDR-LVT

Pedro Soares deu a conhecer aos presentes que, no momento em que a CCDR-LVT anunciou a revisão do Plano Regional de Ordenamento do Território da AML, na FIL, o presidente da CCDR, Fonseca Ferreira, disse que os PDM’s deviam ajustar-se ao PROT-AML e que haviam alguns processos de revisão em curso que deveriam aguardar o processo de revisão do PROT, mas que havia o da Moita que já tinha dado entrada para aprovação. No entanto, Fonseca Ferreira afirmou não estar de acordo com este processo de revisão e que iria chamar o PDM da Moita para apreciação no Conselho de Ministros. “Vamos ver se o presidente da CCDR cumpre com esta sua declaração”, afirmou o orador.

A opção pela requalificação dos núcleos urbanos consolidados

António Chora levantou a questão de famílias que ainda vivem em pátios na Baixa da Banheira, sem condições sanitárias e de habitabilidade, a necessitarem de uma intervenção rápida. “Ao invés, o novo PDM aponta para o crescimento urbano, com a construção de novas habitações, quando por todo o lado há cada vez mais casas à venda”, afirmou.

No debate, foi defendido que o PDM devia servir para requalificar os núcleos urbanos antigos, envelhecidos e degradados. A reabilitação de núcleos urbanos consolidados é uma opção de investimento que se impõe, fazendo obras de conservação e de criação de espaço público, favorecendo as pessoas que aí vivem, e não a transformação de uma áreas rústicas em áreas urbanizáveis, gerando mais-valias exponenciais. Esta é uma opção política que muitas cidades já fizeram, sendo um bom exemplo a reabilitação de alguns bairros de Lisboa. Aliás, esta é a opção que mais se justifica numa situação de ausência de explosão demográfica, tal como a que se verifica no concelho da Moita.

A defesa de interesses pouco transparentes

A questão dos protocolos, apesar da maioria na Câmara dizer que são legais, encerra a defesa de interesses pouco transparentes de empresas com interesses imobiliários e urbanísticos, e acabaram alegadamente por condicionar o processo de revisão do PDM, face aos compromissos assumidos, o que é inadmissível, na expressão de Pedro Soares. Este defendeu que a questão do PDM deve ser um processo participado, em que os autarcas e os técnicos devem promover os processos de ordenamento do território de acordo com a vontade e as expectativas das populações abrangidas por esse importante instrumento de gestão urbanística, de modo a ser um processo democrático. “No caso da Moita, nota-se, por parte do presidente da Câmara, uma vontade de que esta revisão seja concluída rapidamente e uma certa irritação a quem o contesta ou emite opinião”, estranhou.

Pedro Soares considera que “o presidente da Câmara da Moita inspira muito pouca credibilidade para levar a cabo um processo de revisão destes. E contou que, “já em 2000, quando João Lobo era vereador do urbanismo, houve uma inspecção dirigida pelo IGAT, pela participação de alguns munícipes que alegavam ter havido violação do PDM existente. Esta inspecção apontou a violação de algumas regras do PDM, reconhecida pelo próprio vereador, o que dava azo a perda de mandato, só que a realização de eleições a seguir retirou eficácia ao processo judicial, porque a haver perda de mandato era relativa ao mandato anterior já terminado. Agora, estão a decorrer também processos de inspecção e de averiguação à Câmara, relacionados com o PDM e há uma forte contestação popular ao processo de revisão do PDM, pelo que, esta não deveria avançar sem serem tidos em conta os processos de averiguação que estão a decorrer. Tudo isto revela uma grande falta de transparência por parte deste presidente de Câmara”, declarou.

“Esta revisão do PDM não pode ser aprovada sem que estejam esclarecidos os processos de inspecção da IGAL e de investigação da PJ, pendentes e relacionados com esta revisão”, concluiu.

O importante papel dos cidadãos

Conforme foi dito durante o debate, é de toda a justiça louvar o papel que os cidadãos têm tido em todo este processo. De facto, se não tivesse sido o Movimento de Cidadãos da Várzea a levantar estes problemas, este processo não teria tido o desenvolvimento que teve, o que mostra ser essencial a participação dos cidadãos na oposição aos lobbies, a negócios pouco transparentes e a protocolos que ninguém entende bem. O dirigente bloquista diz que para haver transparência é preciso que as instituições se abram à cidadania, por isso, é estranho que uma autarquia coloque tantos obstáculos à participação dos cidadãos. “Se todos compreendemos que na Madeira há um regime que oprime as pessoas de se manifestarem, com receio de serem prejudicadas, aqui na Moita é mais difícil compreender que isto se passe”, exemplificou.

E interrogou-se: “será que nas próximas eleições precisamos de uma maioria absoluta ou precisamos de mais democracia, de mais participação, de mais diversidade? O poder da maioria absoluta repete-se, eterniza-se e oprime, enquanto a democracia decorre da participação, de mais diversidade, mais debate e mais cidadania. O que poderá mais contribuir mais para o desenvolvimento deste concelho?” O orador prosseguiu a sua intervenção, enaltecendo a inteligência e a combatividade dos membros do Movimento de Cidadãos da Várzea da Moita, que têm sido exemplares a nível nacional.

A questão da alternativa à actual maioria na Câmara

Pedro Soares começou por dizer: “Conhecemos o desejo de muitos cidadãos e de algumas forças políticas de se encontrar um entendimento político no sentido de se formar uma alternativa à actual maioria política no concelho da Moita. Porém, estas alternativas não se fazem apenas de boas vontades, fazem-se com ideias e programas políticos”.

Para já, é preciso continuar a luta para que esta revisão não seja aprovada, e que, qualquer que venha a ser o desfecho desta questão, o novo PDM deve ser posto em causa, a seguir às próximas eleições autárquicas de 2009. “O que é preciso saber é se todas as forças políticas que contestam o PDM estão disponíveis para isso”, observou.

Intervenção dos participantes

Seguem-se breves resumos das intervenções dos participantes no debate:

Pedro Glória: “com a conjuntura actual, o mercado habitacional está em decadência, não há clientes e as casas não se vendem, o que põe em causa a tal estratégia dos protocolos (…) A Câmara da Moita é muito reactiva, não prevê a médio e longo prazo, veja-se o caso das entradas na Moita que, em horas de ponta, ficam completamente saturadas (…) Para além de poder haver entendimentos entre os partidos da oposição, devia-se também perguntar aos cidadãos se querem participar, porque uma alternativa a valer, faz-se com a participação dos cidadãos”.

António Ângelo: deixou algumas ideias para reflexão, como por exemplo: “é importante dominarmos estas matérias para termos uma intervenção sempre crescente, nas batalhas políticas da informação e do esclarecimento que ainda estão longe de terminar; (…) a razão de ser desta questão em torno do PDM assenta na importância que o solo adquiriu na Moita, por ser a única riqueza natural aqui existente. Verifica-se um grande assédio ao solo rural para se construírem novas urbanizações; (…) na Moita, nós temos motivo para alegria e orgulho, porque aqui muita gente participa de uma forma cidadã e interessada na vida local, em questões de carácter ético, de transparência, de participação dos cidadãos ao nível mais elevado que se pode ambicionar. (…) no caso do PDM, o processo de revisão ainda não chegou ao fim, a luta continua. Vai continuar a batalha política e, possivelmente, a batalha judicial, com a força dos cidadãos, que é muito importante”.

Staline Rodrigues: “estas questões do Plano Director Municipal são muito importantes, mas passam à margem da generalidade da população. (…) eu conheço a vida autárquica e há um conjunto de situações que me preocupam, por isso eu estou aqui, apesar da idade que tenho, com vontade de participar para que se mudem as coisas no concelho da Moita. (…) o que fizemos antes do 25 de Abril para derrotar a ditadura, é necessário fazermos hoje no concelho da Moita. É nesse sentido que eu estou disposto a participar numa unidade democrática, com a participação da população e dos partidos políticos”.

Luís Morgado: “no que respeita aos PDM’s, o caso da Moita não é único, esta ‘desgraceira’ é por aí fora. É o poder do capital, por isso não me espanta haver protocolo atravessados, o que me espanta nisto é que, no distrito de Setúbal, onde a solidariedade e a larga influência da classe operária mais se fez sentir, nem aqui conseguimos alterar as coisas. E, repito, não é só na Moita. (…) mas a oposição a este presidente de Câmara já em 1999 se punha em cima da mesa, no plano partidário, portanto, foi muito anterior ao Movimento de Cidadãos da Várzea da Moita. (…) no caso dos partidos, é estranho o comportamento do PS, ao longo destes anos, sem levantar grandes problemas. (…) por mim, apoiaria um movimento de cidadãos, começando pelas pessoas, os partidos que se amanhem, se quiserem que apoiem”.

Edgar Cantante: “também preconizou a necessidade do surgimento de um movimento de cidadãos que se possa constituir em alternativa á actual maioria da Câmara da Moita”.

J. BA

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Neste espaço surgirão artigos e notícias de fundo, pautadas por um propósito: o respeito pela Lei, a luta contra a escuridão. O âmbito e as preocupações serão globais. A intervenção pretende ser local. Por isso, muito se dirá sobre outras partes, outros problemas e preocupações. Contudo, parte mais significativa dos temas terá muito a ver com a Moita, e a vida pública nesta terra. A razão é uma: a origem deste Blog prende-se com a resistência das gentes da Várzea da Moita contra os desmandos do Projecto de Revisão do PDM e contra as tropelias do Processo da sua Revisão, de 1996 até ao presente (2008...) Para nos contactar, escreva para varzeamoita@gmail.com