sexta-feira, 22 de junho de 2007

É essa actuação ignóbil, é, em suma, essa imensa ignomínia, que urge banir definitivamente da sociedade portuguesa e da administração pública.











Por cortesia de O Jumento, transcrevemos do Público…

O CASO FERNANDO CHARRUA

«Um professor em comissão de serviço na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) foi alvo de um processo disciplinar por, alegadamente, ter injuriado o primeiro-ministro no decurso de uma conversa com um colega no seu gabinete de trabalho. Não se cuida de saber o teor exacto das palavras proferidas. O professor em causa, Fernando Charrua, afirma que se limitou a dizer uma piada sobre a licenciatura de José Sócrates, enquanto a directora daquele organismo diz que se tratou de uma injúria. Vamos, por economia de raciocínio, admitir que a directora da DREN tem razão e que o professor em causa proferiu mesmo expressões injuriosas, ou seja, ofensivas da honra e da consideração do cidadão que desempenha actualmente as funções de primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates.O primeiro aspecto relevante consiste no facto de as injúrias não terem sido proferidas em nenhum documento de trabalho (carta, ofício, relatório, apontamento, etc.), nem em nenhuma reunião, encontro ou tarefa funcional, nem publicamente, mas sim no decurso de uma conversa particular num gabinete de trabalho com um colega do mesmo organismo.

Poderão os funcionários do Estado ter conversas privadas nos seus locais de trabalho? A resposta não pode deixar de ser positiva. Um qualquer cidadão, incluindo as figuras públicas, podem ter conversas privadas, mesmo em locais públicos e, por maioria de razão, nos seus locais de trabalho. A natureza privada de uma conversa não depende do lugar onde a mesma tem lugar, mas sim do clima de reserva em que decorre. E, se a conversa era reservada, é inaceitável que se torne público o seu teor, mesmo que (sobretudo) por um dos interlocutores. O professor Fernando Charrua acreditou que o colega com quem dialogava merecia a confiança de partilhar uma conversa privada e este traiu essa confiança e atraiçoou-o, indo informar um superior hierárquico do teor da conversa.

O segundo ponto relevante consiste na circunstância de a natureza alegadamente injuriosa da conversa consubstanciar, juridicamente, um abuso do direito de expressão. Em termos mais rigorosos: traduz-se num exercício abusivo da liberdade de expressão. Este direito (de todos poderem exprimir e divulgar livremente o seu pensamento) é um direito fundamental da pessoa humana e como tal está consagrado no artigo 37º da Constituição da República Portuguesa (CRP). Só que nenhum direito é absoluto, no sentido de poder ser exercido em termos de violar desnecessária ou desproporcionadamente outros direitos com igual dignidade jurídica (tal como a honra, previsto no artigo 26º da CRP). Quando isso acontece, o ordenamento jurídico prevê sanções para o abusador.

Aqui chegados, surge a questão de saber quais as concretas sanções previstas. Como, in casu, tais sanções se traduzirão sempre numa limitação a um direito fundamental, é a própria CRP que procede ao enquadramento jurídico do respectivo regime sancionatório. E assim é que no seu artigo 37º, nº 3, se diz expressamente que "as infracções cometidas no exercício destes direitos (de expressão e de informação) ficam submetidas aos princípios gerais do direito criminal ou do ilícito de mera ordenação social, sendo a sua apreciação respectivamente da competência dos tribunais judiciais ou de entidade administrativa independente, nos termos da lei".

Portanto, o direito disciplinar do funcionalismo público não pode ser usado para sancionar um funcionário, por, numa conversa privada, ter injuriado terceiros, incluindo o primeiro-ministro. Este poderá, se o quiser, reagir como qualquer cidadão, no local próprio, ou seja, nos tribunais judiciais, intentando o correspondente procedimento criminal pelo crime de difamação contra quem proferiu as palavras ofensivas. O que não tem é o direito de recusar a protecção do direito criminal e ao mesmo tempo aproveitar-se ou beneficiar do regime sancionatório especial do direito disciplinar.Mais. O cidadão José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, tinha o dever de impedir que uma zelosa subordinada sua (a directora da DREN) procedesse disciplinarmente contra um funcionário que alegadamente o ofendera numa conversa privada. Já que recusa a tutela penal, deveria igualmente recusar a disciplinar.

O direito disciplinar existe para punir infracções disciplinares, ou seja, as que são cometidas por funcionários no exercício das respectivas funções. Mais. A CRP não prevê (portanto, não permite) que as infracções cometidas no exercício do direito de expressão (enquanto direito fundamental) sejam apreciadas em sede do direito disciplinar. Isso foi expresso de forma bem clara pelo legislador constituinte.

Aliás, ainda não há muitos anos, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesse sentido, num caso formalmente idêntico a este. Um juiz desembargador, dirigindo-se a um colega, disse que todos os membros do Conselho Superior da Magistratura eram uns filhos da puta. O interlocutor, que era membro do CSM, participou a este órgão, que deliberou punir o primeiro com uma sanção disciplinar. O visado recorreu para o STJ, que anulou a sanção e absolveu o arguido, justamente por considerar que um acto da vida particular de um magistrado judicial só constituirá uma infracção disciplinar, se, por um lado, se repercutir na sua vida pública e, por outro, se revelar incompatível com a dignidade indispensável ao exercício das suas funções. E o STJ acrescentou: "Não o será um acto da vida particular que não seja de molde a causar perturbação no exercício das funções ou de nele se repercutir de forma incompatível com a dignidade que lhe é exigível." Este é, pois, um regime que, por maioria de razão, se deveria estender a todos os funcionários do Estado.

O primeiro-ministro certamente não ignorará o que dele se dirá no quartéis, nas salas de professores das escolas, nos hospitais e, em geral, nas repartições públicas do país. E, nem por isso, daí vem nenhum mal especial para o funcionamento dos órgãos do Estado e da administração.

Em contrapartida, o procedimento disciplinar instaurado ao professor Fernando Charrua será (sobretudo se acarretar qualquer sanção) um convite à generalização da delação entre os funcionários públicos.Há no aparelho de Estado, sobretudo na administração pública, pulsões liberticidas e de delação que urge combater. Essas pulsões têm as suas raízes na cultura dominante no Estado Novo. O que havia de pior nesses tempos de tirania não era a actuação repressiva das polícias ou de outros organismos de vigilância e protecção do regime. O que havia de pior era, precisamente, a existência dos "informadores", dos "bufos", ou seja, de pessoas aparentemente normais, que se sentavam à nossa mesa, que entravam nos nossos gabinetes e até nas nossas casas, com quem por vezes se tinha conversas reservadas e até íntimas, mas que, depois, traiçoeiramente, pela calada, iam comunicar essas conversas à polícia ou aos superiores hierárquicos.

É essa actuação ignóbil, é, em suma, essa imensa ignomínia, que urge banir definitivamente da sociedade portuguesa e da administração pública. E a melhor forma de o fazer é, para começar, não compactuar com as suas manifestações em nenhuma circunstância. A melhor forma de combater essa abjecção é fazer precisamente o contrário do que fizeram a directora da DREN (ao instaurar o processo disciplinar a Fernando Charrua) e o primeiro-ministro e a ministra da Educação (ao manterem em funções essa zelosa e perseguidora funcionária). É essa actuação ignóbil, é, em suma, essa imensa ignomínia, que urge banir definitivamente da sociedade portuguesa e da administração pública. E a melhor forma de o fazer é, para começar, não compactuar com as suas manifestações em nenhuma circunstância. A melhor forma de combater essa abjecção é fazer precisamente o contrário do que fizeram a directora da DREN (ao instaurar o processo disciplinar a Fernando Charrua) e o primeiro-ministro e a ministra da Educação (ao manterem em funções essa zelosa e perseguidora funcionária).» [Público assinantes]

A. Marinho e Pinto, advogado

Enleados por demais alguns deles quem sabe, os chefes, com os poderosos do posso-quero-e-mando do dinheiro e do poder e das falcatruas fora-da-lei.





Mensagem que muitos não escreveriam, e que muitos porventura nos criticarão por vo-la dirigirmos de novo, por considerarem já termos feito tudo antes para vos avisar suficientemente.


Mas esta é uma nova Mensagem que nós ainda vos endereçamos uma vez derradeira, por entendermos que nenhum Partido em Portugal, nem naturalmente tampouco o PCP claro, seguramente apoia aquelas práticas desgraçadas, se delas for devidamente conhecedor.


E nós queremos crer que o erro do PCP e da CDU tem sido tão só a debilidade e o laxismo de organização, e a falta de controlo e a incapacidade para sentir o pulsar verdadeiro das bases que realmente contam e devem contar, das pessoas aqui na Moita.


É efectivamente um grave erro e uma perigosa ilusão uma Direcção Partidária lá de longe quedar-se apenas e perigosamente orientada pelas informações das cúpulas dos dirigentes locais e regionais, desligados das pessoas simples do terra a terra, e enleados por demais alguns deles quem sabe, os chefes, com os poderosos do posso-quero-e-mando do dinheiro e do poder e das falcatruas fora-da-lei.


Pior ainda se esses dirigentes locais forem porventura comprometidos com a escuridão uns, e preguiçosos e politicamente autistas, os outros.


Assessorados por desgraça maior e para completar o ramalhete por “yesmen” coladiços aos chefes do momento, que endeusam como ilusórios trampolins das suas ascensões de carreira na Administração ou na política.


Dizemos com isso que queremos crer que o PCP nada terá seguramente a ver com as suspeitas de ilegalidades e de ilegitimidades que há cerca de 2 anos vimos documentada e amplamente denunciando em todas as direcções e junto de todas as instâncias, até junto do Governo, junto da Assembleia da República e da Presidência da República, e que desde Domingo 28 Jan 2007 o “Público” e outros órgãos de informação bastamente vêm pormenorizando, dia após dia.


Sabemos aliás que a nossa resistência a favor da Lei, e contra a escuridão, se fosse virada contra uma Direcção Política local de outro Partido, isto é, se a Câmara fosse por exemplo de maioria PSD ou PS, ou CDS-PP ou BE, há muito que o PCP e a CDU estariam empenhadíssimos ao nosso lado.


Ora, sendo de igual modo justa e razoável a nossa presente resistência de Cidadãos, pois nunca foi em nenhum momento virada contra um qualquer Partido, ou em benefício de um qualquer outro Partido, antes e tão só da verdade, da lei e da razão, não compreendemos naturalmente que o PCP e a CDU se quedem quietos e calados e não nos apoiem na nossa justa luta, só porque as Pessoas contestadas se apresentam como eleitos do PCP e com o emblema do PCP ou da CDU enganadoramente ao peito.

Por isso tanto vos avisámos, e de novo hoje vos lançamos mais este alerta.

Continua aqui.

Contra todo o seu legado, o seu historial e os seus princípios, contra tudo o que lhe ensinaram os seus mais velhos, aí temos nós um Piu-Piu...


Na Moita, os homens da Carroça e do Canil Municipal e o seu Chefe Silvestre capturaram com a sua rede o passarinho Piu-Piu, domesticaram-no completamente e têm-no preso há anos numa espécie de gaiola, lá para as bandas do canil

Meia dúzia de grandes mandantes urdiram a trampolinice.
Combinaram-se com o Chefe dos homens da Carroça, e mandaram que o serviço fosse executado.
O nosso Piu-Piu colocou-se a jeito, deixou.
O resultado é lastimável.
Contra todo o seu legado, contra todo o seu historial e os seus princípios, contra tudo o que lhe ensinaram os seus mais velhos, aí temos nós um passarinho Piu-Piu que já ninguém reconhece.
Deixou de fazer piu-piu.
Agora só sabe ladrar, aprendeu com certeza no canil.
E contra quem se esforça ele?
Contra os grandes dos mandantes, os tais que são chefes do seu novo Chefe?
Ná, nada disso: faz que berra e ladra sim, mas contra os pequenos dantes seus iguais, desde que ousem por a careca à mostra ao seu Chefe Silvestre, o seu novo grande amor nesta bendita terra da Moita do Ribatejo.
Precisamente aquele que o mantem em cativeiro local capturado.

O precário contra o funcionário público, o desempregado contra o precário, sem que percebamos que a mão que nos açoita é a mesma.




Sexta-feira, Junho 22, 2007

Para onde caminhamos?
[publicado por Nelson Peralta no Diário de Aveiro, 22 de Junho de 2007]



No início deste mês entraram em vigor as novas regras de cálculo das pensões. Antes as pensões eram calculadas de acordo com os melhores anos de contribuição e agora, o cálculo considera toda a carreira contributiva.




Qual foi o resultado desta medida do Governo Sócrates? De acordo com a OCDE, as pensões vão baixar 40% em Portugal.


Portugal é assim o país da OCDE onde a descida é mais acentuada, apenas encontrando paralelo no México.



Em Dezembro do ano passado o salário mínimo foi fixado em 403 euros, representando uma subida de 4,43%.


De acordo com o Eurostat, nos 27 países da União Europeia apenas seis tiveram uma subida inferior, mas todos esses seis tem já um salário mínimo superior ao português.




De referir ainda que em Portugal 4,7% da população empregada recebe o salário mínimo, ao passo que em Espanha apenas 0,8% recebe o salário mínimo (aí de 666 euros).
Entre 2000 e 2006 o desemprego registou um aumento de 3,7% em Portugal. De acordo com a OCDE, Portugal registou o maior aumento de todos os países desta organização.




Aliás, os países da OCDE registam uma tendência inversa, em média o desemprego baixou 0,5%.
Mas não é só o desemprego que está a aumentar, é a própria estrutura laboral que se está a reconfigurar.




Este ano há mais 100 mil trabalhadores precários que em 2006, registando assim um aumento de 12,5%. No total do universo do emprego, os precários representam 21,5% da força laboral. Portugal é assim o segundo país da União Europeia com maior número relativo de trabalhadores precários.
O vínculo precário, a chamada flexibilidade laboral, é aliás uma das principais premissas do modelo de desenvolvimento neo-liberal.


Em Portugal um trabalhador precário ganha em média 25% menos que um com contrato sem termo.


Esta diferença aumenta nos casos de maior qualificação atingindo 42% de diferença nos quadros superiores.




Para mais, a existência de um exército de reserva de desempregados serve para colocar sobre constante pressão os trabalhadores precários.


Na assinatura do contrato as relações de forças são crescentemente desequilibradas e o salário proposto pode ser bastante inferior ao valor de produção que o trabalhador efectuará.




A revindicação e a greve não são opção, a natureza do contrato e o exército de reserva servem de dissuasores.


Dizem os promotores deste modelo que se institui a meritocracia (os cidadãos ascendem na sociedade de acordo com o seu mérito) quando na realidade se vai anulando a consciência de classe e se vai colocando o fraco contra o fraco.




O precário contra o funcionário público, o desempregado contra o precário, sem que percebamos que a mão que nos açoita é a mesma.


Após esta extensa exposição de números que retrata a realidade laboral o que dizer? Valeu a pena?


Que ganha a sociedade com estas reformas laborais?


Mesmo com o progresso tecnológico é impossível melhorar a qualidade de vida?



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escrito por Nelson Peralta at

Monstruosidade que está a ser cometida, um pouco por todo o país, transformando-o numa enorme lixeira a céu aberto, perante a passividade geral ...


Está tudo bem e recomenda-se, pois claro!
Notícia no Blogue Notícias da Aldeia:

Sexta-feira, Junho 22, 2007

Está Tudo Bem!
Acabo de saber de fonte fidedigna que a CME já tem em sua posse o resultado das análises às lamas aqui despejadas pela Terra Fértil e…, que está tudo bem!

Lamento que – a existirem tais documentos – e não tenho qualquer reserva quanto à fonte - a CCDR-C ou a CME ou, ambos, não os tenham ainda comunicado quer à Junta de Freguesia de Canelas, quer à Comissão de Acompanhamentos aos Ilícitos Ambientais que não deixou, nem vai deixar de exigir o total apuramento de responsabilidades, nem conceder quanto à punição dos infractores.Obviamente, o que for que exista, merecerá sérias reservas quanto à sua autenticidade.

É pouco credível que passados dois arquivamentos e, nove meses após a recolha das lamas, apenas na sequência dos requerimentos que o BE de Aveiro apresentou na AR, se tenha feito, em duas semanas, o que não o foi, em nove meses.

Duvido mesmo que as amostras recolhidas ainda existam e, ainda assim, é evidente que a maturidade lhes terá provocado alterações químicas relevantes.

É certo que nas actuais circunstâncias e perante a inevitabilidade de se ter de encontrar uma solução que sirva de resposta aos requerimentos do BE, só poderia estar tudo bem!

Deveremos pois entender que os milhares de toneladas de merda selvaticamente despejadas nos campos agrícolas e lagunares desta abandonada freguesia de Canelas por uns valdevinos, perante o assobiar para o ar de poderes e autoridades, são uma bênção para o ambiente, para a saúde pública e essencialmente, para os habitantes.

Não deixará de ser o que merecemos dos poderes que elegemos.

Proponha-se uma comenda aos intervenientes neste glorioso feito.Desenganem-se os que pensam que o assunto assim ficará.

O crime ambiental que aqui foi praticado é apenas uma amostra da monstruosidade que está a ser cometida, um pouco por todo o país, transformando-o numa enorme lixeira a céu aberto, perante a passividade geral e os chorudos lucros que escorrem para os bolsos.

Espero que a CME, a CCDRC, a Secretaria de Estado do Ambiente ou outra entidade qualquer, tenha o bom senso de cumprir a sua obrigação e efectivar o processo de exclusão da Terra Fértil da lista de servidores do Estado.

Caso o não façam, entenderemos a sua cumplicidade nas práticas desta empresa e seremos nós, os habitantes desta esquecida freguesia, para vergonha pública de quem o deveria fazer, a exigir a quem de direito, Justiça!

Publicada por AC em 11:40 AM

Quem está vivo e quer viver ainda um par de anos bons só pode dar-se inteiramente a um desígnio assim.




Breve reflexão que recebemos do nosso leitor ant silva ângelo a propósito da notícia:

Quinta-feira 21 Março ’07 teve lugar na Moita, no Auditório da Biblioteca Municipal, um interessante debate promovido pela Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista sobre “As Tendências e as Políticas Sociais”, com a participação de Lídia Jorge, escritora, e de Luís Fagundes Duarte, docente universitário e deputado à Assembleia da República, membro do Grupo Parlamentar do PS.

As múltiplas facetas da vida dos Portugueses e de Portugal vão mais ou menos de par umas com as outras.
As grandes preocupações sobre os baixos índices culturais da nossa terra e da nossa gente, neste nosso tempo, não são uma excepção.
Acontecem ao mesmo tempo que também contamos com graves problemas sociais, económicos, urbanísticos, ambientais, de participação cidadã, de afirmação a muitos níveis, desde o campo desportivo à prestação negativa das nossas trocas comerciais.
A cultura não é pois uma ilha de problemas num mar de coisas boas.

Entretanto, muita gente se queixa, e não são muitos os que o fazem com equilíbrio e razão suficientes.
Nos últimos quase 100 anos, metade do tempo vivemos com liberdades, a outra metade sob ditadura.
A orientar a nossa grande nau colectiva, tivemos gerações e gerações de Governantes e outros Dirigentes Políticos ilustres, uns eleitos, outros impostos, pessoas técnica e politicamente capacitadíssimas.
A nau não tem feito outra coisa quase que não seja navegar à deriva, com rombos crescentes e não resolvidos nos 4 costados.
Grandes leaders, grandes rombos e maiores tormentas.
Bom porto, é coisa que só os mais crentes e optimistas conseguem vislumbrar.
Na cultura e em tudo o mais.

Responsabilizar quem governa é necessário, é justo, e se fosse feito de forma consequente seria importante.
Mas não é. Impera entre nós um misto de sadismo da parte dos de lá de cima, e de masoquismo da parte dos de cá de baixo.
E se fosse, não chegaria, pois se até mesmo em ditadura é o povo quem em última análise mais sofre e simultaneamente mais aguenta (no duplo sentido) o duro estado das coisas de então, o que dizer da vida em democracia?
Maus dirigentes eleitos?
E de novo mais do mesmo, em novas eleições?
Culpa dos eleitos?
Por favor.

Portugal é um todo, mas não é um todo simples. O mesmo se pode dizer dos Portugueses. Há-os de todo o género e sentido.
Mas há momentos e tendências que sobressaem, e a nossa geração, no meio de muitas virtudes, anda muito de rastos, demasiado agachada, pouco inventiva, arrojada e corajosa.
E é tudo a ajudar para baixo.
Há 2 dias, por exemplo, assisti a uma peça num Noticiário TV onde vários entrevistados falaram do seguinte:
A TAP está a comprar a Portugália, e parece que vai despedir 300 dos trabalhadores desta Companhia, admitindo os restantes com as condições de trabalho e salariais reduzidas para metade.
E como falaram em Junho ’07 para as câmaras os entrevistados?
Com pseudónimos, com a voz trucada e para câmaras desfocadas.
Lastimável que o tenham feito, e lastimável que as Televisões assim o transmitam, mandando para a sociedade sinais de medo, agachamento, choque e pavor que alguns sempre recusarão, e que muitos depressa mimetizarão.

Disse Lídia Jorge, e também com isso concordou Fagundes Duarte, que a Cultura é um ponto de chegada, e que a Educação é um ponto de partida.
E que são tarefas ingentes para 20 anos ou gerações.
E que muitíssimo está por fazer.
E que os indicadores são tristes, e os mais risonhos são enganadores.
Só se pode concordar.

Pode entretanto concluir-se, como a certa altura Fagundes Duarte questionou, que falhou a nossa geração?
Falhámos a nossa vida?
É e tem de continuar a ser sempre assim?

Portugal e os Portugueses, nesta como em quase todas ou mesmo todas as áreas da nossa vida, precisam manifestamente de um sobressalto de vez.
Quem está vivo e quer viver ainda um par de anos bons só pode dar-se inteiramente a um desígnio assim.
A cada um o seu papel, agora.

Caso se confirmem as grandes linhas, este tipo de Proposta pode conter rudes golpes contra a democracia, a fiscalização e o contraditório

PROPOSTA EM DEBATE

PS admite deixar cair executivos monocolores

TIAGO PETINGA/lusa
Negociações são conduzidas pelos líderes parlamentares Alberto Martins (PS) e Marques Guedes (PSD)


Hermana Cruz

As negociações estão a decorrer no maior secretismo, pois socialistas e sociais-democratas não querem perturbar o acto eleitoral em Lisboa, que se realiza no próximo dia 15. Segundo o acordo de princípio para uma nova lei eleitoral das autarquias, alcançado há duas semanas, o PS admite deixar cair a bandeira dos executivos monocolores, em nome de um consenso o mais alargado possível com as outras forças políticas, que sempre se opuseram a uma vereação homogénea.

A Maioria estará disposta a aceitar, assim, a proposta, apresentada em conjunto pelo PSD e pelo CDS/PP, em Outubro de 2003, que prevê a permanência da oposição nos executivos.

O PS fala em "posições muito próximas". O PSD em "acordo de princípio". Seja qual for a designação, o certo é que estão a decorrer a bom ritmo as negociações, conduzidas pelos líderes parlamentares Alberto Martins (PS) e Marques Guedes (PSD).

Os dois partidos encontram-se a debater pormenores do diploma (ver peça em baixo) e o PS procura o apoio das restantes bancadas. A ideia é que o projecto de lei seja entregue logo no início da sessão legislativa, em Setembro, e seja aprovado até o final do ano.

Presidente forma equipa

Um dos principais objectivos da futura lei é eliminar bloqueios de gestão inerentes às chamadas maiorias relativas, isto é, situações em que o partido mais votado tem os mesmos ou menos vereadores do que toda a oposição, como acontecia na Câmara de Lisboa antes das intercalares.

O modelo do Centro-Direita atribui ao partido vencedor uma maioria absoluta mínima terá sempre assegurado um vereador a mais do que a oposição. Por exemplo, numa Câmara com 17 vereadores, como Lisboa, ficaria com nove eleitos. Teria mais vereadores quanto os votos alcançados. Os restantes lugares são atribuídos, aos outros candidatos, pelo método de Hondt.

No fundo, pretende-se que as câmaras adoptem o mesmo modelo das juntas de freguesia, segundo o qual haverá uma única lista para o executivo e Assembleia Municipal. O presidente de Câmara seria o cabeça de lista do partido com mais votos.

Depois de eleito, este teria que constituir a sua equipa entre os eleitos da sua lista para a Assembleia Municipal. "Não podia ser entre não eleitos, como acontece com o Governo do país, porque isso implicaria uma alteração constitucional, já que a Lei Fundamental fala em membros eleitos", explicou, ao JN, uma fonte ligada às negociações.

O reforço dos poderes do presidente de Câmara pode passar também por algo que já existe, igualmente, nas juntas de freguesia a demissão de um vereador, em caso de perda de confiança ou incumprimento do programa eleitoral. Esse vereador ficaria, então, como deputado municipal.

As negociações em torno de uma nova lei eleitoral para as autarquias podem culminar ainda na criação de um novo patamar de câmaras, para os municípios de grandes dimensões como Gaia, Maia, Oeiras, Amadora e Loures. Actualmente, apenas Porto e Lisboa têm um estatuto especial.



Um único boletim

Eleições para a Câmara e Assembleia Municipal serão feitas com um único boletim de voto.



Executivo O partido mais votado terá, pelo menos, um vereador a mais do que a oposição, que fica com os restantes lugares.



Demitir vereadores

Presidentes de Câmara poderão demitir vereadores. Actualmente, só retiram pelouros.



Moção de rejeição

Assembleia Municipal poderá destituir um Executivo.

Acerca de mim

Neste espaço surgirão artigos e notícias de fundo, pautadas por um propósito: o respeito pela Lei, a luta contra a escuridão. O âmbito e as preocupações serão globais. A intervenção pretende ser local. Por isso, muito se dirá sobre outras partes, outros problemas e preocupações. Contudo, parte mais significativa dos temas terá muito a ver com a Moita, e a vida pública nesta terra. A razão é uma: a origem deste Blog prende-se com a resistência das gentes da Várzea da Moita contra os desmandos do Projecto de Revisão do PDM e contra as tropelias do Processo da sua Revisão, de 1996 até ao presente (2008...) Para nos contactar, escreva para varzeamoita@gmail.com